
Nascidas numa família de camponeses sem terra,
passaram a infância perambulando pelas cidades do Nordeste do
Brasil, seguindo os passos do pai alcoólatra que alugava-se como
mão-de-obra temporária para os proprietários de
terra da região. Para complementar a renda, a mãe dedicava-se
ao artesanato e elas aprenderam a cantar nas feiras e nas portas das
igrejas em troca de esmolas.
Após a morte do pai, a cantoria tornou-se a principal fonte de
renda de uma família numerosa, e que não parava de crescer.
Houve um momento em que as ceguinhas sustentavam, com seus míseros
ganhos, 14 pessoas, entre irmãos e irmãs, um deles adotado,
sobrinhos, a mãe e seu novo marido.
Maria Barbosa, a mais habilidosa e autônoma das três irmãs,
foi a única que casou. E por duas vezes, ambas com deficientes
visuais, tendo ficado duas vezes viúva. O primeiro marido foi
Manuel Triquilino, violeiro e cantador, que passou a apresentar-se com
elas nas feiras. Tiveram uma filha, Maria Dalva, que nasceu em 1989.
Após o nascimento da filha, Maria foi viver com o marido em Natal,
no Rio Grande do Norte. Foi o único período de suas vidas
em que as irmãs estiveram separadas. Quando a filha já
tinha completado cinco anos, Manuel morreu e Maria voltou para junto
de suas irmãs, em Campina Grande. Lá conheceu Silvestre,
o grande amor de sua vida com quem viveu dois anos, até o marido
ser assassinado a facadas.
Quando a equipe da Tv ZERO entrou em contato com As Três Ceguinhas
pela primeira vez, em 1997, elas viviam praticamente sós, em
uma pequena casa numa vila em Campina Grande, na Paraíba. A mãe
delas tinha morrido há cerca de seis meses e Silvestre estava
morto há menos de quatro. A filha de Maria estava em poder de
umas tias distantes que se recusavam a devolver a filha para a mãe.
O que aconteceu deste momento em diante está no filme.